Carcará Maldito ® (H): 01 - Pó de Sangue

01 - Pó de Sangue


Foi em outro planeta. Um planeta chamado Ceará. 1938 era um ano em que as metrópoles se acostumavam com o Estado Novo de Getúlio, com o desenvolvimento e com a repressão à imprensa. No planeta Ceará não. O completo domínio dos grandes proprietários de terra sobre a vida das pessoas do sertão fazia parecer que o tempo corria diferente para essa gente. Os senhores feudais denominados “coronérs” exerciam poderes executivos, legislativos e judiciários. O Povo? O povo sofria, sofria e sofria.

Nesse planeta existia uma pequena vila no sertão ressecado e castigado pelo esquecimento. Essa vila tinha nome de santo, mas ninguém mais lembra qual era. Naquele caustigante dia, um pouco depois do almoço, Zeferino tomou uma decisão que mudou o que restava de sua vida.
Quando ele saiu do bar e se espreguiçou para estalar as juntas, com o canto dos olhos ele viu uma forma estranha a esquerda. A rua acabava na casa do Seu Gé. Um pouco pra frente, onde nem começava a vila, vinha um homem e seu burro. Podia ser uma cena normal como tantas em tantas vilas do sertão. Só que nesse caso o estranho, que tentava passar despercebido vindo pelo canto da rua, tinha bem mais de um metro e oitenta. O que numa região de homens altos com menos de um e sessenta, era algo no mínimo inóspito. O burro ao seu lado, que o seguia sem ser puxado, era pequeno por natureza, mas devido a proporção ele ficava parecendo mais um grande cão, do que um equino. Para completar a estranhesa do quadro, o homem usava um chapéu de abas largas e topo chato, afundado na cabeça até quase a altura dos olhos. Zeferino tocou instintivamente seu chapéu coco, como para ter certeza que havia algo normal sobre sua cabeça. O estranho ainda vestia uma capa de couro surrada, que um dia foi marrom escura e agora estava mais para vinho quase negro. Ela estava amarrada no pescoço e descia até o joelho, deixando o homem com uma aparêcia perigosa.
Zeferino estava de partida. Ia descer a rua a direita até o puteiro da Sinira e tentar ganhar uma trepada a prazo. Olhou denovo para o estranho que mancava da perna direita e resolveu voltar para o bar. Porque para Zeferino, o melhor lugar numa confusão é encostado numa quina de parede e não de costas no meio da rua.
Para sua surpresa o estranho parou na frente do bar. Seu Idalino, dono da espelunca, passava o pano sujo no balcão tentando descobrir se estava limpando ou sujando mais. Ele viu o estranho e parou de imediato. Até Zinho parou para olhar. O garoto ajudava Idalino no bar, sabe Deus porque, já que o movimento quase não exigia a presença do próprio dono. O homem tirou dois baldes das costas do burro. No primeiro ele esvaziou uma bolsa d´agua e o segundo ele encheu com um misto de milho seco e alfafa. Deixando os dois na frente do burro, que baixou a cabeça e tratou de dar conta do recado, ele olhou o bar. Um bar de vila normal. Uma entrada grande com porta de madeira aberta, três mesas e um balcão de madeira suja e escura. Atrás do Seu Idalino ficavam as garrafas de pinga. A variedade não era o forte do estabelecimento. Tinha umas 20 garrafas de no máximo três maracas diferentes. No canto, um fogão de lenha e um bule de café em cima. Na mesa da direita, bem no fim do balcão e de costas para a parede, estava Zeferino. Ele viu o estranho entrar se apoiando com a mão direita numa bengala e com o saco d´agua vazio na outra. Ele jogou o saco em cima do balão e sorriu, sem abrir a boca, para o Seu Idalino. O problema é que seus olhos, azuis quase brancos, não sorriram junto.
- Enche d´agua, me vê um café-com-leite e um pão com mortandela, fazfavô. – A voz era rouca e baixa.
Mas ele não parecia o tipo de pessoa que repetia o que falava.
Idalino enxugou a testa com o pano sujo e uma mecha de seu escaço cabelo caiu sobre a testa alta e marcada pelos quase cinquenta anos. O dono do bar deu o saco d´agua para Zinho encher e foi esquentar o café. Zeferino puxou delicadamente seu 32 da cintura e segurou embaixo da mesa onde o estranho não podia ver. O homem nem olhou para ele, pendurou a bengala de cabo chato na beira do balcão e sentou num dos bancos na frente, deixando a capa cair dos lados. Seu Idalino trouxe o café meio morno e com certeza foi o pão com “mortandela” preparado mais rápido da sua vida. Depois só com uma olhada ele mandou o Zinho “encher logo a droga do saco dágua porque eu quero esse hómi longe daqui”.
- Bela bengala. – quebrou o silêncio Zeferino.
Ela realmente era muito bonita, apesar de meio gasta. De madeira negra ela tinha desenhos orientais esculpidos por toda ela.
- O que é isso desenhado nela? É um Carcará? – Zeferino se referia ao maior desenho na parte superior da bengala. De forma chata para melhor apoiar a mão, ela tinha um grande passaro desenhado.
- Sim senhor. – respondeu o estranho de boca cheia ainda mastigando seu lanche.
- Sabe... – continuou Zeferino – tem uma lenda por essas bandas. Ela fala dum carcará que teve os filhos matados por um Guará cum fómi. Passou mais de ano e um dia o carcará encontrou o lobo. A briga durou uns dois dia e no fim os dois morreram. O interessante é que o carcará num se importava em viver depois de matar o guará. Isso era tudo que ele queria. Ocê conhece essa lenda?
Um silencio enorme, que podia ser cortado a faca, enchia o bar. La fora um galo atrasado cantou rapidamente mas parou envergonhado enquanto o estranho engolia o último pedaço de pão.
Ele viu Zeferino do lado de fora do bar. Viu o 32 na cintura dele. Percebeu que ele ia embora e voltou. Notou com o canto do olhos o movimento quando Zeferino sacou lentamente sua arma e segurou embaixo da mesa. Ele sabia que um trinta e dois de cano curto não pode ser disparado com a mão torta. O coice é muito forte, pode deslocar o pulso e o tiro sair pra cima. Por isso ele sabia que Zeferino tinha que puxar a arma debaixo da mesa antes de atirar. Era por isso que sua mão esquerda não estava a vista. A direita segurava o copo de café na metade do caminho entre o balcão e a boca. Quando Zeferino decidiu puxar o braço para atirar ele sentiu a cabeça ser empurrada para trás. Seu último pensamento foi achar estranho esse movimento involuntário, logo depois ele morreu. Seu cérebro ficou parte na parede, grudado no poster da Antártica, parte no chão sujo ao lado do chapéu coco intacto.
Ele nem chegou a levantar a pistola. Quando o estranho viu Zeferino prender a respiração ele atirou. Depois do estrondo podia-se ver uma fumaça azulada saindo de um pequeno furo na capa do estranho. Ele tinha a arma apontada para Zeferino desde que sentou.
Idalino foi para trás e temia feito vara verde enquanto urinava nas calças.
- Qual seu nome? Disse o estranho.
Zeferino notou o tom de vóz do tipo: “não vou repetir, cabra safado” e tratou de responder o mais rapido possivél.
- I... I... Idalino Gireão da... da.. da Silva.
Os olhos do estranho apertaram mais ainda antes dele falar.
- Sou José de Arimatéia. Lembra desse nome?
Idalino tinha duas certezas na vida. A primeira era que se você se esforçar, consegue ficar longe de encrencas. A segunda era: se a primeira não funcionar, corra!
Zinho realmente não viu o Seu Idalino sair do bar. Foi mais um borrão passando na direção da rua. O coitado do garoto ainda estava enchendo o saco d´agua e tentando entender como aquele estranho tinha acertado entre os olhos de Zeferino sem nem olhar para ele.
O Estranho terminou o café e levantou rapido. Saiu mancando sem a bengala e parou no meio da rua. Zinho viu o homem sacar uma arma, que parecia gigante mesmo nas grandes mãos do estranho, e apontar para o centro da vila, a direita.
As pessoas começavam a sair das casas pra ver que se passava depois do barulho do tiro. Foi nessa hora que Idalino saiu do bar e foi na direção da casa do Seu Téo. O coitado do velho sapateiro até pensou em dar guarida pro dono do bar, mas quando ele viu o cano da arma do estranho apontada pra ele, tratou de fechar a porta e deitar no chão.
Isso se repetiu mais umas três vezes, a ultima foi na casa da puta Joana. Ainda com o olho meio roxo do soco que Idalino tinha lhe dado, ela empurrou o coitado pro meio da rua com um sorriso na cara.
Idalino olhou para o estranho e caiu na besteira de ter esperança. A distância era grande, uns trinta metros, talvez o estranho errasse. O que Idalino não sabia era que José de Arimatéia, ou Carcará Maldito como era conhecido, podia fazer uma bala passar dentro de uma aliança de casamento a essa distância.
Quando puxou o gatilho de seu 38 Smith & Welson, importado direto dos “steites” pelo seu antigo patrão, o som da pólvora estourando não foi tão alto. Mas quando a bala de trinta e oito milimetros saiu do cano a 1.412 quilometros por hora, o estrondo de romper a barreira do som foi alto, muito, muito alto.
A bala entrou do lado esquerdo do peito de Idalino liquefazendo seu coração, desviou na costela e saiu por cima da omoplata esquerda. Uma pequena mancha vermelha tingiu a camisa branca de Idalino na altura do peito. Nas costas, metade da omoplata e parte do seu ombro viraram um pó vermelho que ficou suspenso no ar quente.
Idalino caiu no chão acinzentado de pedras e terra ressecada. Uma enorme mancha vermelha começou a formar debaixo dele enquanto o corpo ainda mandava sangue para um lugar onde um dia teve um coração. A mancha ia logo ficando marrom e secando, sugada por aquele solo árido e sedento.
Todos ficaram olhando para José enquanto ele voltava para o bar. A bolsa d´agua cheia estava em cima do balcão e Zinho entocado no canto atrás do balcão. José deu a volta e abriu a gaveta do caixa. Enquanto juntava o direiro ele olhava o garoto assustado.
- Ele judiava muito docê, num é? – Perguntou.
O garoto balançou a cabeça confirmando.
- Onde ele guardava o dinheiro graúdo?
Zinho apontou para o lixo em baixo do balcão e quando José afastou-o viu a caixa de madeira atrás. Dentro tinha dinheiro de duas semanas e o Carcará deixou mil-réis em cima do balcão e avisou o garoto:
- Isso é pra ocê. Faz bom uso e num conta pra ninguem. É nosso segredo, certo?
O garoto dessa vez nem balançou a cabeça de tão perplexo que estava. A minutos atrás ele era quase o escravo do dono do bar. Agora podia ajudar muito a mãe e os seis irmãos.
O Carcará então tirou uma medalhinha do bolso e deixou em cima do balcão também. Mas seu olhar dizia para o garoto que aquilo não era para ele. A medalhinha de metal tinha um carcará desenhado em relevo.
Zinho acompanhou José com os olhos até a porta do bar, depois pegou o dinheiro no balcão e saiu para ver o estranho ir embora.
José jogou o saco d´agua no lombo do burro e pendurou os baldes vazios no pescoço do animal. Saiu na frente mancando com se fosse deixar o burro para trás quando falou:
- Vem Burro.
E o animal virou seguindo José bem de perto.

Estava a uns quatro quilometros da vila quando o delegado o alcançou. Seu João tinha sessenta e cinco anos e era delegado os ultimos doze. Nunca tinha atirado com sua pistola e havia sacado ela apenas três vezes para assustar uns garotos arruaceiros. Seu corpo magro e curvado balançava em cima do jegue quando emparelhou com o Carcará que andava ao lado do burro solto. O delegado coçou o queixo com barba branca de três dias e olhou para José que estava da sua altura, com jegue e tudo. Tentou analizar aquele estranho homem de rosto marcado e olhos muito claros, pele curtida de sol e aparentando não mais que quarenta anos. Mas mesmo com toda sua experiência de vida ele não conseguiu defenir o que via.
- Parece que o senhor deixou um corpo lá trás na vila. No meio da rua, é verdade?
José pensou por alguns segundos e olhou para o velho delegado.
-Parece que sim – respondeu.
Sabe, é meu dever perguntar porque...
Ele não terminou a frase. O Carcará parou seu andar cocheado e olhou direto nos olhos do velho.
- Ele misturava alcool na pinga e dava pros bêbados. Depois robava os bolso deles quando eles caiam. Violentava aquele pobre garoto que trabalhava com ele. Vendia carne de cachorro como de vaca e juntava os resto de cumida pra servi no outro dia. – falou de um só folego o Carcará.
Depois de um tempo de silencio Seu João começou:
- É, parece que ele num era boa pessoa, mas tem uma coisa chamada lei...
- Fora o fato dele ter comprado esse bar com os seis mil-réis que ele roubou duma certa lata de açucar duma certa familia que foi morta pelos comparsa dele há alguns ano atrás. – interrompeu José novamente.
Seu João tinha chegado a aquela idade sabendo medir forças. Os olhos daquele homem tinham uma força nunca vista por ele. Nesse momento o delegado soube que nada, nada faria ele parar sua caminhada.
- E o irmão dele? - Perguntou o velho.
- Quem?
- O outro corpo. No bar.
- Humm... Esse tentou me matar quando descobriu quem eu era. Tava tentando entender porque, agora eu sei.
José então voltou a andar com seu burro no encalço e o delegado foi ficando para trás. Quando estavam separados por uns dez metros Seu João tirou a medalhinha do bolso e a segurou na mão.
- Encontrei essa medalhinha em cima do balcão. O que ocê acha que eu devia fazer com ela?
- Acho que ocê devia por no bolso do defunto antes de enterrar. – respondeu José parando mas sem se virar.
- Posso saber porque? - Insistiu o delegado.
José de Arimatéia voltou a andar e bem quando Seu João achava que ia ficar sem resposta ele falou.
O delegado nunca mais esqueceu aquela resposta. Nem o tom de voz cheio de rancor, mágoa, frustação e ódio.
- Pro diabo sabê quem mandô ele pra lá.
Seu João ficou olhando o Carcará se afastar sem piscar até os olhos arderem e o homem não passar de uma mancha na caatinga.
O silêncio era quebrado de quando em quando pela voz rouca do Carcará dizendo:
- Vem Burro, vem.

FIM

©Valhalla Produções. Todos os direitos reservados. Barcelona, 25 de Abril de 2006.


Gostaria de agradeçer a visita de todos e pedir que deixem seus comentários, afinal é a unica maneira que tenho de saber a reação de vocês estando tão longe de todos.
Essa primeira capa (que você confere clicando AQUI) foi feita por mim a lápis e depois de limpar os traços com caneta, fiz a colorização no Paint do Windows. É apenas uma idéia do personagem e meu desenho não é dos melhores, mas foi o que consegui fazer.

Obrigado a todos e até a proxima...

Daniel Garcia
25/04/06
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4:22 PM
Comments:
ae alemão... ficou muito legal

e só essa primeira parte, que esta mais para uma historia completa, ja daria um curta metragem.
A cada descrição e reação dos personagens, dava para imaginar isso num filme.

Muito bom!!

continua escrevendo que vou continuar lendo!


beijos

Cabeça
 
otimo pra primeira historia ..chama atencao, tem uma mistica do personagem..pensei num Clint Eastwood mais jovem e nordestino. gostei..
mas o q mais gostei foi
vc teve de ir pra europa pra ver o quanto o Brasil pode oferecer..como tema, como vida.,.

Parabens!!

Klebs Júnior
 
Legal Alemão...

Consegui até ouvir o som das botas dele no chão... he he he...
Jamais passou pela minha cabeça que vc escreveria nada parecido... Nordeste? Década de 30? Ceará? Mas está muito bom...
Se um dia isso virar um filme... deixa eu ser o "caboman"?? he he he...

beijo

Nani
 
Muito boa esse história... qdo farei minha contribuição?!

Júlio Brilha
 
Legal pra carai. Eu fiquei imaginando não um John Wayne ou um Clint Eastwood, mas o Franco Nero (da série de filmes Django) ou o Murilo Benicio (como ficou caracterizado no Homem do Ano). Acho que eles tem mais a ver com a estética "suja e sofrida" que a história passou. É o Roland de Gilead, se Gilead fosse no Piauí

BJ
 
Ae,
Uma historia do seculo XX e no Brasil, foi uma grata surpresa.
Já te contei que este já é meu personagem favorito.

Daniela (Amiga)
 
Pois é. Chamar o Ceará de planeta foi genial. Colocar um cowboy rancoroso no meio do sertão foi genial. Criar uma lenda foi genial. Olhos azuis quase brancos, da altura de José com jegue e tudo e todos os otros detalhes... foi genial. Maravilhosooooo! Perfeito para um filme. Sério! Meu! Sou sua fã!

Fernanda
 
DAni,

Gostei das descrições principalmente das que nos remetem as cenas de um filme como a do disparo do tiro... ( Que num filme teria que ser filmado com a camera perseguindo a bala e mostrando a sua trajetória.. tipo CSI) bom agora é meio tarde eu estou com muito sono para reletir mais, mas eu gstei da história e continuarei lendo e postando minhas impressões... Abraços

Ricardo Kimura
 
Cara, tá muito bom!!!!!
Vc escreve bem pra caramba!!!
O legal de textos curtos é que vc não pode enrolar muito pra fazer as coisas começarem e terminarem, realmente força o escritor a ser bem direto.

Beijo Cara!!!!

Dilso
 
Ae Dani, ficou muito loka a história velho... to lendo aki do trampo... mas então... qdo q sai o próximo capítulo do José matando mais uma galera?
Mto loko... da curiosidade de saber como foi a vida do cara, quem foi o patrão dele, pq ele tem akela arma, o pq do burro, da capa... fudido mano...
Lembrou os velhos tempos de RPG...

E esse muleke? Vai virar assassino tbm? Vai caçar o José?

Vishe mano... demorô...


Falows ae filho!!

Abraços e sucesso!

Valas
 
Muito estiloso! Não imaginei nada de clint, john, ou murilo... pensei eu outro ator brasileiro que não lembro o nome, até pela voz rouca e baixa e tal...

Interessante essa descrição em detalhes da bala acertando o cara. Outras referências e detalhes também chamam a atenção, e o personagem faz querer saber mais sobre ele.
 
Fala grande Daniel...

Cara adorei a sua história...o personagem é muito bom...vc escreve muito bem...uma parte eu ñ entendi:"- Qual seu nome? Disse o estranho.
Zeferino notou o tom de vóz do tipo: “não vou repetir, cabra safado” e tratou de responder o mais rapido possivél.
- I... I... Idalino Gireão da... da.. da Silva."...Zeferino já não estava morto? contudo parabéns...tem q virar filme...qm mais concorda?
 
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