Zenaide
"Priscila era nome de guerra. Seu nome real era Zenaide. Filha mais nova de doze que a Dona Silvia criou. Mulher no sertão tem dois possíveis futuros. Ou casa antes dos quinze e vira dona-de-casa, ou cresce sem marido e sem respeito, e acaba virando puta. Zenaide era linda, tinha cabelos cacheados castanho claro e olhos escuros brilhantes. Sua pele era de uma brancura resplandecente e todos achavam que ela casava antes dos quatorze. Mas os homens da cidade ficavam intimidados com a beleza dela e iam casando com as outras e sonhando com ela. O tempo ia passando e Zenaide crescendo. No final ela estava solteira, sem trabalho e era motivo de riso das invejosas mulheres da cidade. Ela sabia que todos os homens aguardavam em silencio o momento em que ela desistiria e cairia na vida. Assim eles poderiam tê-la sem o medo da cobiça de outros homens e uma possível traição. Mas a pobre garota de dezesseis anos não iria cair em desgraça tão fácil. Juntou o pouco dinheiro que conseguiu lavando roupa pra fora e comprou uma passagem de trem para a capital. Ela nunca chegou lá. O trem parou numa pequena estação de uma cidade pequena, mas movimentada e ela desceu rapidamente. Estava contando as moedas que tinha para comprar um pedaço de pão e poder acalmar o ronco em sua barriga. Por estar de cabeça baixa e com as moedas na mão ela não viu a mulher do prefeito saindo da venda levando um caríssimo vaso de cristal que havia encomendado e acabara de pegar. Quando elas trombaram o vaso foi ao chão e quebrou-se como os sonhos e esperanças de Zenaide. Em milhares de pedacinhos que brilhavam feito lagrimas. A amarga mulher do prefeito conseguiu que a garota fosse presa até pagar o prejuízo. O que para ela era completamente impossível, sendo assim, o futuro de Zenaide agora era chorar e passar o resto de seus dias na cadeia. Remoia a agonia de saber como a vida é frágil e pode mudar num simples esbarrão. Todos os planos de fazer faxina na capital, juntar um dinheiro e voltar para sua cidade natal para como uma mulher de boa vida e casada, agora eram sonhos de um futuro paralelo. Que nunca chegariam a se realizar. Seu sofrimento carcerário durou apenas três dias. O delegado era uma pessoa de bom coração, sabia que a mulher do prefeito logo ia encontrar outro alvo para sua fúria e soltou Zenaide. Na rua escura do crepúsculo no sertão ela olhou para os lados e se viu sem saber o que fazer. Não tinha mais dinheiro e perdera a passagem no trem. Sem comida e onde dormir ela sentou-se atrás da delegacia, perto dos sacos de lixo, onde o cheiro de urina era um pouco mais suportável e adormeceu. Foram dois dias reenchendo nos lixos a procura de comida e dormindo na rua. Quando a Dona Eva passou e novamente viu aquela figura faminta e suja, não pode se conter mais. Levou-a até seu estabelecimento e lhe deu um grande prato de comida. Zenaide comeu como não se lembrava de um dia ter comido. Era feijão, farinha, batata e carne seca. Para ela era um banquete que ela repetiu duas vezes. Depois de encostar as costas doloridas na cadeira e respirar enquanto a comida descia. Dona Eva não tinha muito o que oferecer, mas acabou contratando a garota para ajudar na limpeza da casa em troca de um lugar para dormir, comida e um trocado por semana. Não era muito, mas para Zenaide era a única luz num futuro escuro e frio. Os dias passaram e Zenaide via as garotas da casa comprando roupas, jóias e ganhando em uma noite o que ela levava três ou mais semanas para ganhar. A angustia e a frustração chegaram ao limite e Zenaide decidiu conversar com Dona Eva.
- Ocê já se deito com um hómi? Perguntou de supetão a senhora.
Perplexa Zenaide demorou pra responder e quando o fez foi de cabeça baixa e vermelha de vergonha pelo assunto.
- Não sinhora. Ainda sô pura.
Dona Eva sorriu e apoiou os cotovelos na mesa olhando de perto o rosto da jovem. “É, pode ser. Ela tem algo de especial”, pensou a senhora sorrindo.
- O que ocê sabe sobre sexo menina?
E assim Dona Eva começou a derrubar tijolo por tijolo o muro do tabu sobre a prostituição, o que levou a tarde toda. No final era mais uma questão matemática do que social. A mulher tomou ela pelas mãos e levou-a ao quarto onde a vestiu como uma princesa e já era noite alta quando desceram para o salão onde o Seu Cido, sanfoneiro da casa, parou de tocar. Como havia prometido, Dona Eva escolheu bem seu primeiro homem. Ainda com duvidas e assustada Priscila, seu novo nome, pegou na mão do garoto e subiu as escadas. Ele não tinha mais que quatorze anos e era sua primeira vez e seu pai o tinha levando para iniciá-lo. Quando Priscila tirou o vestido ficando nua em sua frente, o garoto achou que ia morrer. Foi um sexo urgente, inexperiente e cheio de risadas de constrangimento. O garoto foi carinhoso e no fim acabou adormecendo no colo de Priscila enquanto ela olhava pela janela e chorava para as estrelas.
O tempo passou e os anos deram solidez a beleza de Priscila. Como a principal mulher da casa da Dona Eva ela se dava o direito de escolher seus clientes, o que causava muito cobiça, inveja e ódio. Mas a vida não era ruim para ela, o que não quer dizer que ela não teve sua parcela de clientes desagradáveis..."
- Ocê já se deito com um hómi? Perguntou de supetão a senhora.
Perplexa Zenaide demorou pra responder e quando o fez foi de cabeça baixa e vermelha de vergonha pelo assunto.
- Não sinhora. Ainda sô pura.
Dona Eva sorriu e apoiou os cotovelos na mesa olhando de perto o rosto da jovem. “É, pode ser. Ela tem algo de especial”, pensou a senhora sorrindo.
- O que ocê sabe sobre sexo menina?
E assim Dona Eva começou a derrubar tijolo por tijolo o muro do tabu sobre a prostituição, o que levou a tarde toda. No final era mais uma questão matemática do que social. A mulher tomou ela pelas mãos e levou-a ao quarto onde a vestiu como uma princesa e já era noite alta quando desceram para o salão onde o Seu Cido, sanfoneiro da casa, parou de tocar. Como havia prometido, Dona Eva escolheu bem seu primeiro homem. Ainda com duvidas e assustada Priscila, seu novo nome, pegou na mão do garoto e subiu as escadas. Ele não tinha mais que quatorze anos e era sua primeira vez e seu pai o tinha levando para iniciá-lo. Quando Priscila tirou o vestido ficando nua em sua frente, o garoto achou que ia morrer. Foi um sexo urgente, inexperiente e cheio de risadas de constrangimento. O garoto foi carinhoso e no fim acabou adormecendo no colo de Priscila enquanto ela olhava pela janela e chorava para as estrelas.
O tempo passou e os anos deram solidez a beleza de Priscila. Como a principal mulher da casa da Dona Eva ela se dava o direito de escolher seus clientes, o que causava muito cobiça, inveja e ódio. Mas a vida não era ruim para ela, o que não quer dizer que ela não teve sua parcela de clientes desagradáveis..."
11:38 AM 0 Comentários